Apartamentos novos já são comercializados sem quarto de empregada

Mesmo nos que foram projetados com dependência, clientes têm opção de mudar o ambiente ainda na planta

O cantinho para leitura e descanso criado pelas profissionais Fabiana Visacro e Laura Santos neste apartamento era antes uma área de serviço. Agora, o novo espaço se integra à sala de jantar
O cantinho para leitura e descanso criado pelas profissionais Fabiana Visacro e Laura Santos neste apartamento era antes uma área de serviço. Agora, o novo espaço se integra à sala de jantar

Ter hoje uma doméstica que dorme em casa é necessidade de poucos. Acompanhando a nova realidade, o mercado imobiliário quase não oferece mais apartamentos na planta de até três quartos com dependência completa de empregada (DCE). Para que o comprador aproveite melhor a área interna, sem perder o espaço de serviço, as construtoras apostam em novas alternativas.

De acordo com o diretor da Rede Morar Minas Imóveis, Bernardo Laender, nove em cada 10 de seus clientes que estão em busca de um imóvel pequeno não precisam de quarto e banheiro para empregada. Até mesmo as famílias dispensam a área, pois preferem pagar apenas por uma diarista. Laender enxerga o sumiço de DCE como algo positivo. Como a tendência é encontrar apartamentos cada vez mais compactos, o espaço suprimido gera um conforto maior para o morador, já que ele ganha a metragem em cômodos que normalmente são mais usados, como sala e cozinha.

“As próximas gerações provavelmente não vão saber o que é ter empregada, o que no passado era comum, por conta das restrições na legislação trabalhista, do custo cada vez mais alto e da busca por praticidade. É uma mudança cultural que vai ocorrendo naturalmente”, pontua o diretor comercial e de marketing da Patrimar, Lucas Guerra. É para esse público que a construtora oferece apartamentos de um ou dois quartos sem DCE, mas com área de lavanderia, arrumação e pet shop no pilotis. Os serviços serão terceirizados e ficarão sob a responsabilidade do condomínio.

O diretor imobiliário da Collem Construtora, Leonardo Prates Bernis, analisa que, além da lei das domésticas, o desaparecimento da DCE se justifica pela redução no tamanho das unidades. “Tentamos aproveitar melhor a área para que o imóvel seja grande o suficiente para acomodar os moradores e pequeno o suficiente para caber no bolso do comprador”, diz.

Há 10 anos, a empresa já inovava com um projeto no Bairro Luxemburgo, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Um elevador exclusivo dá acesso a um hall onde há um banheiro que serve de apoio para as funcionárias dos quatro apartamentos de cada andar. Já a MASB aposta na criação de vestiários na área comum dos empreendimentos, que possam atender diarista ou prestador de serviço, com escaninho, sanitário e chuveiro. “Mas é preciso ter área disponível na garagem ou no pilotis”, pondera a coordenadora de incorporação, Bárbara Soares. Na visão dela, esse tipo de prédio interessa a casais novos sem empregada.

Para o diretor da Mobyra Incorporações, Rodrigo Nunes, é importante manter o banheiro de serviço para garantir a privacidade dos moradores. “O espaço não vai encarecer muito o projeto e oferece conforto para a família e até para a pessoa que está prestando o serviço, que não precisa usar o banho social do imóvel”, destaca. Nunes considera o sanitário um diferencial no segmento de média renda.

TENDÊNCIA 

Mesmo em imóveis projetados para ter dependência de empregada, as construtoras dão opção para o cliente mudar o espaço ainda na planta. “A tendência são apartamentos mais otimizados, onde não haja espaço ocioso. Hoje, DCE não é mais peça fundamental”, observa o diretor da área imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Bráulio Franco Garcia. Dependendo do projeto, o comprador consegue transformar a área em mais um quarto, abrindo a porta para o estar íntimo. Também é comum o banheiro virar lavabo.

O quarto de empregada na casa do engenheiro Luiz Felipe Frayha virou depósito para bicicleta, ferramentas e entulhos  (Túlio Santos/EM/D.A Press)
O quarto de empregada na casa do engenheiro Luiz Felipe Frayha virou depósito para bicicleta, ferramentas e entulhos

O quarto de empregada na casa do engenheiro Luiz Felipe Frayha, de 29 anos, virou depósito para bicicleta, ferramentas e entulhos. Na hora de comprar outro imóvel, ele preferiu um sem DCE e ainda transformou o banheiro de serviço em lavabo. “Não tenho necessidade de ter empregada, pois em 90% do tempo estou fora de casa. Assim, vou dar um uso melhor para o espaço”, justifica.

Para quem mora em um apartamento mais antigo, a dica é reaproveitar o espaço com uma pequena reforma. O importante é não fazer do quarto um amontoado de bagunça. “É preciso pensar no que o cliente gostaria de fazer e no que a planta possibilita em termos de modificação”, ressalta a designer de ambientes e consultora do Decorador Online do Shopping Minas Casa, Fernanda Berni. Quando existir a possibilidade, dá para quebrar as paredes para ampliar outro cômodo. A DCE também pode virar closet, escritório, despensa, rouparia, espaço de coleções ou quarto de hóspede, se couber uma cama.


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