Uma volta pelo bairro São João Batista

 

Júnia Leticia – Estado de Minas

Área que no século 19 pertencia a Santa Luzia e servia de descanso para quem partia das minas de Diamantina em direção à capital, só foi incorporada a BH no fim dos anos 1940

Eduardo Almeida / RA Studio

A história do Bairro São João Batista, na Região de Venda Nova, começa no século 19, quando ele ainda fazia parte de Santa Luzia. Naquela época, ele tinha o nome de Santo Antônio. Em 1948, quando houve a anexação definitiva de Venda Nova a Belo Horizonte, o local passou a fazer parte da capital e teve o nome alterado. Localizado na parte de ocupação mais antiga de Venda Nova, o São João Batista era um dos locais de descanso dos tropeiros responsáveis pelo abastecimento da região de minas de ouro e diamante. Dos seus pontos de parada surgiram arraiais, vilas e até cidades. E foi a partir de um desses locais que surgiu o Santo Antônio, hoje São João Batista.

Apesar de morar no bairro desde 1995, há 38 anos a aposentada Sandra Maria do Carmo acompanha a história da região. Ela lembra que, em 1972, quando trabalhava como professora de educação física na Escola Municipal Antônia Ferreira, não havia nada no bairro. “Para ir à escola, a gente passava em becos”, conta.

O acesso a bens básicos de consumo também era precário, de acordo com a aposentada. “Tinha uma venda. O comércio melhorzinho ficava na Padre Pedro Pinto, mas era coisa simples”, diz Sandra do Carmo. Essa situação é bem diferente do que pode ser visto hoje no bairro, que tem supermercado, sacolão, farmácia, açougue e posto de saúde.

Outra mudança foi a colocação de linhas de ônibus específicas para servir os moradores. Antigamente, para chegar a outras regiões da cidade era preciso caminhar para ter acesso ao coletivo que atendia o Rio Branco, bairro próximo ao São João Batista. “A Avenida João Samaha não era asfaltada e a gente tinha de andar até a Rua Padre Pedro Pinto para pegar ônibus. Agora há o 2256, além do 2210 A, B e C”, explica Sandra.

Para ir a outros bairros há também linhas suplementares e circulares, como o S63 e o S64 (Venda Nova), o S65 (São Bernardo/Minas Caixa), o S60 (Circular/Céu Anil) e o 609 (Serra Verde/Santa Mônica). Isso foi facilitado pela abertura e urbanização de vias. As avenidas Pedro I, Vilarinho, Érico Veríssimo e Dr. Álvaro de Camargo (antiga 12 de Outubro) são algumas delas.

Mas para a aposentada, a grande vantagem de morar no bairro é a qualidade de vida, possibilitada pela tranquilidade da região e pelo próprio perfil do São João Batista. “Ele é bem residencial. A rua onde moro não passa ônibus, é bem arborizada e os vizinhos são muito bons. Para morar, é excelente”, ressalta.

Sossego não quer dizer falta de diversão. Apesar de populoso (o Censo 2000 do IBGE já apontava mais de 14 mil moradores), a comunidade consegue se integrar. “Temos o Grupo Amigos Solidários, que se reúne no segundo domingo do mês em creches do bairro e promove bailes beneficentes. Nessas festas vão muitos moradores do São João Batista e gente de outros lugares também.”

Temos o Grupo Amigos Solidários, que se reúne no segundo domingo do mês em creches do bairro e promove bailes beneficentes. Nessas festas vão muitos moradores e gente de outros lugares também – Sandra Maria do Carmo, professora aposentada

MERCADO Frequentadora do bairro há quase 40 anos, antes de se mudar para o São João Batista, em 1972, Sandra do Carmo já havia morado nele em 1984 e se arrepende de, na época, não ter comprado um lote, devido à valorização. “Perdi muita oportunidade de comprar lote aqui. Hoje, para adquirir um imóvel é caríssimo. Para alugar também está difícil”, comenta a aposentada.

Formado basicamente por casas, o São João Batista é apontado como de padrão popular pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis da Universidade Federal de Minas Gerais (Fundação Ipead/UFMG). A classificação é obtida considerando-se a renda média mensal na região, que é inferior a cinco salários mínimos. De acordo com o mesmo levantamento, os valores médios praticados para venda de imóveis residenciais no bairro são de R$ 265 mil.


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